04/11/2009

Roda pra Caetano


morena rosa sentada à janela
não desprega o olho, não dá trela,
sempre no canto a espiar
rolando deitado gingando na areia
baticundum chama sereia
boto d’água rei do mar

horóscopo Hindu diz a sina
quem samba na areia
suor desatina
serpente makossa
baticundum oxalá

mariposa voa adoidado
tambor requebra marcado
me convidando a assobiar
assobia sabiá sebosa
ave astuta honrosa
cor de terra canto de ar

o som desse surdo não é tão belo
sem o repique do pandeiro,
o arrastar de chinelo
cabelo de cachos avulsos ao ar

já brinquei de palhaço de chumbo
boneco bobo moribundo
faço som pra disfarçar
a vida minguada amarela
roupa de bamba, martela panela
dança de roda Iemanjá.

3 comentários:

Paixão, M. disse...

Boniteza demais... vc está cada vez mais sagaz nos versos, anjo. o caê merece, e nós também.

que a vida lhe traga muita inspiração sempre, e esse poder de transformação de tudo em poesia.

que eu lhe trago beijos :)

Larissa disse...

Ah você ta mesmo "investindo" em poesias..

Coisa bonita.. Caê merece mesmo.

;*

Caetano disse...

meu querido amigo,
me enche de alegria saber que me enxerga assim. me tirou um sorrisão aberto. vontade de batucar com você, tirar um som do vento e acabar com essa saudade.
você é um amor.

beijo grande, meu amigo
muito obrigado pelo presente lindo.